quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma nova Arte

Não espero ser um vento de mudança cultural nem acredito que sozinho consiga mudar alguma coisa. Não almejo a imortalidade nem tocar sequer a genialidade de outros, pretendo sim alertar outros que, como eu, estão fartos de ver a cultura portuguesa na lama, inundada e ridicularizada por influências provenientes do estrangeiro, acabando por eliminar cada vez mais os nossos traços culturais.

Desde sempre que Portugal se habituou a importar conceitos, ideias e revoluções culturais, ignorando por completo tudo de brilhante que se vai fazendo por este país. Desde sempre que nos habituámos a apenas dar a devida importância a agentes culturais nacionais quando estes já estão em final de carreira ou mesmo desaparecidos, valorizando o seu espólio tardiamente em detrimento de valores importados ou jogos de influência e de interesses.

Habituámo-nos a ignorar o nosso património – quantos lisboetas conhecem de facto Lisboa para além dos grandes pólos comerciais? – por culpa própria e daqueles que colocamos em posição de governação. Os apoios são quase impossíveis de obter, a menos que tenhamos padrinhos nos respectivos órgãos, e as iniciativas inovadoras são menosprezadas sendo, na maioria dos casos, financiada pelos empreendedores ou colocadas na gaveta quando tal não é possível. Mas também nos habituámos a culpabilizar apenas o Ministério da Cultura e outros agentes estatais, que fazemos nós para mudar algo? Porque procuramos apenas seguir as “regras” implementadas do sistema cultural nacional? É tempo de nós, os verdadeiros interessados na nossa cultura, os que vemos as dificuldades no dia-a-dia, que lutamos pela cultura em Portugal, façamos algo, é tempo de revolta, é tempo de mudar pensamentos e ideologias. E é a nossa geração que tem de se libertar das grilhetas da cultura instituídas em Portugal, somos nós que temos o poder de fazer algo, que temos o futuro nas nossas mãos, Portugal há-de ser nosso um dia e é agora que temos que iniciar a mudança, temos de gritar BASTA!

Criticar tudo e todos, lamentar o estado da cultura e a falta de apoios não chega, é preciso fazer algo, é preciso mudar, é preciso inovar e apresentar propostas concretas de alteração, não podemos continuar as lamurias, não podemos persistir em erros do passado e, acima de tudo, não podemos permitir que a Arte portuguesa continue nas mãos de quem não pertence por direito e exclusividade. A Arte não pode ser exclusiva de elites, nem académicas nem económicas, não pode continuar nas mãos de interesses e jogos de poder / influência, quantos de nós conseguem expor o seu trabalho livremente? Quantos de nós enviam incessantemente portfólios para galerias para ver depois exposições patentes de pessoas que sabemos estarem lá porque conhecem a pessoa x ou a pessoa y?
Quantas vezes me interrogo porque não vejo Arte disponível a todos, porque está a Arte restrita às classes altas, com poder económico? O mundo evoluiu e a Arte parou no tempo, não nas suas técnicas, estilos ou correntes, mas na forma como é encarada pela humanidade. A Arte permanece presa às elites tal qual como na Idade Média onde apenas os grandes senhores podiam encomendar obras aos artistas, e esta tendência manteve-se ao longo dos séculos escondida por detrás de uma pseudo-libertação artística. Na verdade a Arte não está ao alcance de todos, quem no nosso país se pode dar ao luxo de adquirir originais? Quem no nosso país se pode dar ao luxo de ir ao teatro? Ir aos museus? Monumentos? Galerias? Quem?

É isso que precisamos mudar, a cultura tem obrigatoriamente de evoluir para uma nova Era, uma Era Moderna, onde colocamos à disposição de todos o acesso à cultura. As massas deslocaram-se para os grandes pólos comerciais? É lá que temos de estar. O poder de compra da maioria não chega para aceder à cultura? Temos que a tornar acessível.

Sérgio Cerqueira

terça-feira, 5 de maio de 2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Musa I


1.

Noite profunda,
A lua brilha
Intensa no céu,

Olho as estrelas
E vejo o passado...

As guerras! As lágrimas!
Os gritos...
O alcoól...

PORQUÊ?

Maldita memória que me enlouquece!
Porque não posso esquecer tudo?
Quero esquecer...

Quero renascer das cinzas,
Como a fénix magnifica.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CEGUEIRA I

Cegueira física é a privação do sentido visual, é o estado de quem é invisual.
Ora a cegueira que se analisa aqui não é a ausencia do sentido natural, é a falta de visão. Cegueira é o medo de crescer, de se soltar das amarras, largar o rebanho e ousar caminhar sozinho, ser cego é não arriscar a imparcialidade, é deixar que outros pensem por nós. A cegueira é, assim, um estado de ignorância podendo também tomar a forma extrema de fanatismo.

O Homem cego é ausente em si mesmo, é possuido, é retrato, fiel ou não, de outro ser, nem sempre porque o deseja, mas porque é dificil ousar reflectir e muito mais fácil aceitar ideias pré-concebidas como suas, a dificuldade de libertar a mente e aplicar a razão por si só implica que o individuo prefira manter-se fiel a ideais impostos a analisá-los convinientemente. Mas este acto de absentismo nem sempre é uma opção.
A cegueira demostrar-se-á um processo natural, um imperativo da natureza humana, não significa isto que a possamos aceitar incondicionalmente. O Homem é dotado de razão para que possa aplicá-la, não importa aqui, no entanto, demonstrar novamente tal conceito pois outros já o fizeram genialmente, importa é perceber porque o Homem apesar de ensinar e demonstrar determinados conceitos insiste em não os aplicar verdadeiramente, persiste em iludir-se com ideais e, consequentemente, organizações e instituições que não passam disso mesmo, ideias utópicas que por o serem são transformadas em realidades bem diferentes e bem mais negras. Importa analisar a origem da cegueira, os seus perigos e repercursões na História, mas principalmente na sociedade actual, importa perceber porque o Homem persiste nos mesmos erros para que se possa definir um rumo para o futuro, acaba por tornar-se assim necessário analisar o Homem, ou melhor, o mito humano.

Ser cego é não arriscar a imparcialidade, é deixar que outros pensem por nós. A cegueira do Homem já teve as suas marcas na História, basta recordar as politica imperialistas e expansionistas, os massacres dos povos do Novo Mundo, a escravatura consentida e aplaudida durante séculos, ou acontecimentos como as Cruzadas, a Santa Inquisição e o Holocausto. Basta recordar-mos que o Homem se encontra em constante conflito com os seus semelhantes, que as guerras são uma espécie de passatempos lúdicos para os que se consideram grandes e poderosos. As marcas da cegueira ao longo da História são claras e inequívocas.

Para perceber como se origina a cegueira no indíviduo é necessário identificar os processos de cegueira, estes serão a forma como uma determinada situação ou um contexto especifico condicionarão a visão do individuo do mundo que o rodeia, os processos de cegueira são os processos que levam o individuo a fechar a sua mente em torno de algo já existente, aceitando-o como seu, sem reflectir sobre ele para que pudesse tomar uma posição sua e só sua. Existirão vários tipos de processos de cegueira que começam por ser divididos em naturais e enduzidos.

Por processos naturais entendem-se aqueles que são um imperativo da natureza e acontecem em determinadas alturas da vida do indíviduo. De facto torna-se impossivel desassociar os processos de cegueira naturais com certas fases da vida do indíviduo. O primeiro processo de cegueira acontece exactamente na primeira fase da vida, a criança possui o instinto de imitar, no mais simples significado da palavra, os seus pais primeiramente e depois todo o seu seio familiar. Logo aqui se encontra um processo simples de cegueira prematura, se os imitados forem por si próprios cegos transmitirão a limitação à criança, exemplificando, se a criança crescer num ambiente familiar racista terá fortes tendências a adoptar o racismo como seu ideal também, aqui temos um processo de cegueira por imitação que também poderá ocorrer quando a criança procurar integrar-se num determinado grupo, ou seja, a criança procurará imitar comportamentos e aceitar ideais para que possa permanecer como membro desse grupo. Mas não será só por imitação que o indivíduo pode obter cegueira naturalmente, é condição natural que o Homem seja um ser social e assim, voltando à questão da inserção num grupo poderia ser colocada o problema da criação do grupo, mas na realidade tal problema não existe, os grupos terão duas formas de ser formados, ou são os próprios pais a formar esse grupo levando a criança a interagir com outras do seu próprio grupo de adultos que convergem nos ideais, ou a criança procurará formar o seu grupo com outras crianças que partilhem os gostos e pensamentos, teremos aqui uma derivação da cegueira por imitação, a cegueira por empatia, isto porque o facto de as crianças formarem grupos com os mesmos gostos e pensamentos, não significa que as crianças sejam exactamente iguais, ou seja, que tenham absorvido ideais iguais no processo de imitação, por exemplo duas crianças crescem num ambiente racista e absorvem esse ideal mas uma delas também absorve, por imitação, tendência para a violência. Será por empatia que a segunda criança vai adquirir a tendência violenta do seu parceiro de grupo.

A grande diferença entre o processo por simpatia e o processo por empatia está na forma como a criança ganha cegueira, enquanto que imitando o seu ambiente a criança absorve comportamentos e ideais, por empatia com um seu semelhante a criança adquire tendências comportamentais e ideais.

Estes dois processos são naturais pois é imperativo natural quer a imitação dos progenitores quer a necessidade de socializar.


Existirão depois os processos enduzidos onde encontramos dois conceitos opostos, a cegueira pode ser enduzida por ensino ou por ignorância, ou seja, o indivíduo pode ser cego porque o ensinaram a sê-lo ou porque desconhece alternativas.

Exemplificar de forma simples a cegueira por ensino é referir as organizações juvenis dos regimes fascistas, como a Mocidade Portuguesa ou a Juventude Hitleriana, nestas eram enduzidas, ou ensinadas, as doutrinas do Estado para que os jovens cegassem à partida nesses ideais, assim, os jovens tornavam-se fascistas porque eram ensinados para tal. Neste caso também podemos exemplificar a cegueira por ignorância, os jovens eram fascistas porque desconheciam as virtudes de outros sistemas politicos.

No entanto, nos dias de hoje também encontramos cegueira por ensino se bem que de forma involuntária, a forma mais simples é o aluno tomar como seus os ideais do seu mentor, ou professor, apenas por este o ser, ou seja, se o mentor é o dono da sabedoria então os seus ideais são os correctos. A outra forma passa pelo involuntarismo do professor que, ao ensinar determinado conceito ou ideia não poderá deixar de dar maior enfâse à sua preferida o que poderá levar o aluno a assumi-la como sua.

A cegueira por ignorância passa, como já exemplificado, e como a própria etmologia indica, por desconhecer alternativas ao que foi assumido, absorvido ou ensinado. Exemplificando, se o individuo é fascista, e não tendo em conta o aspecto da vontade, pode sê-lo por desconhecer a doutrina democrática. Se o individuo é católico, não tendo em conta o aspecto da vontade, pode sê-lo porque desconhece a doutrina budista. Temos sempre que ter em conta o aspecto da vontade própria, da liberdade de escolha, assumindo que o indivíduo não se encontra cego já passa para o campo da moralidade, campo este que já foi demasiado, mas muito bem, analisado. Em qualquer dos casos e em quase todos é impossível separar o processo de ensino do processo de ignorância, só se desconhece algo porque não nos foi ensinado ou facultado. Pode dar-se o caso de o indivíduo não possuir bases para analisar as alternativas, aqui também se trata de cegueira por ignorância. É aqui que surge o último processo de cegueira, que não é bem um processo, o comodismo, que é simplesmente o indivíduo que é cego porque o quer ser, tendo os meios para conhecer as alternativas e as bases para as analisar não se preocupa em fazê-lo pois prefere manter-se na comodidade da cegueira.

4.

Choro…
Choro de dor, de raiva e de rancor
Como se de chagas se tratassem
No meu peito cravadas

Choro…
Porque a agua não se contem
Perante tamanho desdém
E lembranças esfarrapadas

Maldita memória que me persegue…

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sem titulo

RAIVA, VINGANÇA.
Passeavam-se pela minha mente.

RANCOR, VINGANÇA.
Por promessa feita solenemente.

Agora percebo que nada disso interessa.
Pois que se dane tal promessa.
O futuro está mesmo à minha frente.

Fantasmas de um passado,
Triste, mas não sendo um fado,
São memórias de quem sente.

Deixem-me viver a minha vida,
Pois agora encontrei a saída,
Para os tormentos da minha mente.

Sentimentos ultrapassados,
Pois estão todos perdoados.
Palavra deste que não vos mente.

domingo, 19 de abril de 2009